Investigador e familiares detalham assassinato de mulher enterrada no quintal; marido é julgado em Cuiabá
Investigador e familiares foram as três primeiras testemunhas ouvidas durante o julgamento, em Cuiabá. TJMT O investigador, a sobrinha e o irmão detalharam, nes...
Investigador e familiares foram as três primeiras testemunhas ouvidas durante o julgamento, em Cuiabá.
TJMT
O investigador, a sobrinha e o irmão detalharam, nesta terça-feira (20), durante o julgamento de Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, as circunstâncias do assassinato de Nilza Moura de Souza Antunes, de 64 anos, encontrada enterrada em um buraco de cerca de dois metros de profundidade no quintal de uma casa em Cuiabá, em maio deste ano. O réu era marido da vítima.
As testemunhas foram ouvidas pelo Tribunal do Júri, no Fórum da Comarca de Cuiabá. Além do investigador e dos dois familiares, outras testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento, que conta com cinco depoentes ao todo.
Segundo o investigador, o réu procurou a polícia para denunciar uma suposta extorsão. Ele disse que a esposa havia sido sequestrada e que os criminosos pediam dinheiro para libertá-la. Durante a investigação, porém, os policiais encontraram contradições na história e passaram a suspeitar dele.
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O investigador contou que foi até a casa com o delegado responsável pelo caso e percebeu algo estranho. A polícia descobriu que havia câmeras de segurança no imóvel, mas Jackson tinha escondido o aparelho que armazenava as imagens. O equipamento foi encontrado no telhado de uma edícula.
Ainda conforme o depoimento, Jackson afirmou que os supostos sequestradores faziam parte de uma facção criminosa. A investigação apontou, no entanto, que ele teria contratado uma pessoa para enviar as mensagens de cobrança pelo resgate. O suspeito entregou o celular aos policiais, que encontraram conversas relacionadas ao caso.
Ao verificar a área em frente à casa onde o corpo foi encontrado, o investigador percebeu que a terra estava mexida. Jackson disse que estava construindo uma fossa. No celular dele, os policiais encontraram conversas sobre a contratação de um operador de máquinas para abrir o buraco. Segundo o investigador, o trabalhador não sabia que o serviço poderia estar ligado a um crime.
O investigador afirmou que Jackson ficou muito nervoso ao ser questionado e acabou confessando o assassinato. Segundo o depoimento, ele contou que Nilza estava deitada quando a atacou por trás e a enforcou com um dispositivo conhecido como “enforca-gato”. Depois, colocou o corpo no carro e planejou enterrá-lo no imóvel.
De acordo com o investigador, Jackson alegou que o relacionamento estava ruim e que a esposa o impedia de ver o filho. Ele também teria dito que planejou abrir o buraco para esconder o corpo.
Sobrinha relata suspeitas
A sobrinha de Nilza contou que começou a desconfiar da história de Jackson quando a família percebeu o desaparecimento da vítima. Segundo ela, o suspeito disse que a esposa tinha saído para ir à academia, mas os familiares não conseguiram confirmar essa informação.
A família se reuniu para buscar informações e verificar imagens de câmeras de segurança. Em uma delas, segundo a testemunha, Jackson aparece saindo e voltando várias vezes com o carro branco da vítima.
A sobrinha também contou que recebeu uma mensagem de Jackson perguntando se tinha o telefone de uma mulher. Nilza trabalhava com aluguel de imóveis e ajudava clientes a conseguir financiamentos.
Durante as buscas, os familiares receberam mensagens e ligações de uma pessoa que dizia estar com Nilza e exigia dinheiro para libertá-la. Segundo a sobrinha, a família pediu uma prova de vida. Uma foto foi enviada para ser vista apenas uma vez, mas somente Jackson teria conseguido ver a imagem.
Ainda conforme a testemunha, o valor pedido pelo suposto sequestrador diminuiu até chegar a R$ 500. O pagamento seria feito por Pix para uma mulher.
A sobrinha também afirmou que percebia um comportamento possessivo de Jackson. Segundo ela, Nilza tinha dificuldade para conversar com outras pessoas quando o marido não estava por perto. A testemunha contou ainda que Jackson administrava os bens da vítima, que tinha imóveis e outros patrimônios. Para ela, o crime pode ter relação com os bens da tia.
Ao lembrar das buscas durante a madrugada, a sobrinha disse que o comportamento de Jackson chamou a atenção da família. Enquanto todos tentavam encontrar Nilza, segundo ela, o suspeito parecia tranquilo e chegou a dizer que tomaria um remédio porque não havia mais nada a fazer naquele horário.
Irmão relata foto de suposto sequestro
O irmão de Nilza contou que estava com Jackson quando ele havia recebido a foto de visualização única enviada pelos supostos sequestradores. Segundo ele, a imagem mostrava Nilza sentada em uma cadeira de madeira, com os pés e as mãos amarrados e usando as mesmas roupas com que o corpo foi encontrado.
Durante o depoimento, a juíza perguntou se a vítima estava viva na foto. O irmão respondeu que não sabia dizer, pois ela estava com a cabeça baixa.
Ele também relatou que Nilza e Jackson se casaram em 2015 e se divorciaram cerca de dois anos depois. Quando o crime aconteceu, os dois haviam se casado novamente havia aproximadamente um ano.
Segundo o familiar, na época da primeira separação, Nilza ainda não tinha condições financeiras nem bens. Quando o casal reatou o relacionamento, ela já havia construído patrimônio.
Jackson Pinto da Silva foi preso suspeito de matar Nilza Moura de Souza Antunes
Reprodução