Debate no g1: candidatos ao Senado por MT discutem tarifaço, segurança pública, emendas parlamentares e infraestrutura
Fávaro (PSD), Zé Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB) e Galvan (Avante) no estúdio do g1 para o debate para o Senado de Mato Grosso Victória Oliveira/g1 O deba...
Fávaro (PSD), Zé Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB) e Galvan (Avante) no estúdio do g1 para o debate para o Senado de Mato Grosso Victória Oliveira/g1 O debate promovido pelo g1 nesta quinta-feira (3) entre candidatos ao Senado por Mato Grosso foi marcado por discussões sobre segurança pública, saúde, infraestrutura, comércio exterior, emendas parlamentares e a relação entre os Poderes, além de troca de acusações entre os candidatos. Participaram do encontro Carlos Fávaro (PSD), Antônio Galvan (Avante), Pedro Taques (PSB) e José Medeiros (PL). Os candidatos Mauro Mendes (União Brasil), Janaina Riva (MDB) e Margareth Buzetti (PP) foram convidados, mas não compareceram. O debate foi transmitido ao vivo pelo site e pelos perfis do g1 no YouTube, TikTok e Instagram. Foram convidados os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso, ou que alcançaram ao menos 5% de intenções de voto na última pesquisa Quaest. Seis temas foram previamente definidos e comunicados às campanhas antes do debate. A ordem dos assuntos foi sorteada antes do início do encontro, bem como a posição das cadeiras durante o encontro e a ordem das considerações finais. Os participantes tiveram 15 minutos de tempo de fala para administrar ao longo da discussão, com intervenções de até 1 minuto e 30 segundos por vez. Ao final, todos tiveram direito a um minuto para as considerações finais. Confira o que falaram os candidatos sobre os temas estabelecidos: relações entre poderes comércio exterior SUS segurança pública infraestrutura e logística emenda parlamentares Primeiro tema: relações entre poderes Candidatos ao Senado de MT falam sobre relações entre poderes No primeiro tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram a relação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Antes de apresentarem suas propostas, os participantes cumprimentaram os eleitores, agradeceram a oportunidade e destacaram a importância do diálogo e do respeito entre as instituições. Carlos Fávaro defendeu o equilíbrio entre os Poderes e afirmou que as instituições precisam se respeitar. Segundo ele, o respeito entre os Poderes contribui para garantir segurança jurídica e traz benefícios para a população. Fávaro também destacou que ninguém está acima da lei. Pedro Taques afirmou que o Brasil vive um cenário de desorganização na relação entre os Poderes. Ele criticou a atuação do Legislativo, ressalvando algumas exceções, e afirmou que o Judiciário não estaria julgando os processos com a agilidade necessária. Taques também disse que o Executivo enfrenta falta de recursos e afirmou que pretende chegar ao Senado para tentar mudar esse cenário. José Medeiros citou a Constituição Federal ao defender que os Poderes devem atuar de forma independente e harmônica. Ele afirmou que essa harmonia não existe atualmente e defendeu mudanças a partir de 2027. Antônio Galvan apontou um desequilíbrio entre os Poderes e criticou a atuação dos senadores. Ele afirmou considerar que os parlamentares têm demonstrado falta de coragem diante da situação política do país. Segundo tema: comércio exterior Candidatos ao Senado de MT respondem sobre comércio exterior No segundo tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram propostas para ampliar o comércio exterior, fortalecer as exportações do estado e garantir novos mercados para os produtos brasileiros. Também foram abordadas questões como soberania nacional, valorização do setor agropecuário e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Taques defendeu a ampliação das exportações de Mato Grosso para diferentes mercados e afirmou que o país deve adotar uma postura de soberania nas relações comerciais. Ele destacou a necessidade de defender a produção nacional e os interesses dos produtores e afirmou que o Brasil deve buscar compradores para seus produtos independentemente do país. Galvan destacou a importância do comércio exterior para a economia brasileira e defendeu a valorização dos produtores rurais. Segundo ele, o setor agropecuário é responsável por garantir a segurança alimentar e está diretamente ligado à capacidade do Brasil de exportar. Ele também criticou o governo federal por, em sua avaliação, não valorizar quem trabalha diretamente no campo. Fávaro afirmou que o Brasil tem buscado ampliar as oportunidades comerciais e diversificar os mercados para os produtos nacionais. Ele destacou que o país não depende de clientes preferenciais e citou o tarifaço dos Estados Unidos como exemplo da importância de manter relações comerciais com diferentes países. Segundo Fávaro, a existência de outros compradores permitiu ao Brasil manter as exportações, gerando renda para o país. Medeiros defendeu que o Brasil, por seu tamanho e capacidade produtiva, precisa negociar com diferentes países. Ele criticou o governo federal e afirmou que a atual condução das relações internacionais colocou o país em conflitos comerciais. Ele também responsabilizou o governo pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmou ter propostas para ampliar o comércio exterior e contribuir para o crescimento da economia brasileira. Terceiro tema: SUS Candidatos ao Senado de MT respondem sobre SUS No terceiro tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo investimentos, atendimento nos municípios, filas e fiscalização dos recursos públicos. Antônio Galvan destacou a importância de discutir a saúde pública não apenas durante o período eleitoral. Ele afirmou que dezenas de prefeituras de Mato Grosso não receberam vans destinadas ao transporte de pacientes e defendeu maior atenção às demandas dos municípios. Pedro Taques afirmou que, além da rede pública, é necessário fortalecer os hospitais filantrópicos que também prestam atendimento à população. Ele criticou a demora no atendimento pelo SUS e disse defender tanto o sistema quanto os servidores da saúde. Taques também afirmou que, apesar de todos os candidatos defenderem o SUS, é necessário combater a corrupção e prometeu fiscalizar a aplicação dos recursos destinados à área. Segundo ele, cerca de R$ 1 bilhão teria sido desviado da saúde em Mato Grosso. José Medeiros declarou apoio ao SUS, mas criticou o funcionamento do sistema e as filas enfrentadas pelos pacientes. Ele afirmou que não faltaram recursos para a saúde em Mato Grosso durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que havia verbas disponíveis nos municípios do estado. Medeiros também afirmou que as emendas parlamentares não possuem percentual de retorno para os parlamentares. Carlos Fávaro concordou com a necessidade de ampliar os investimentos em saúde e afirmou que o governo federal tem destinado recursos para Mato Grosso. Ele citou investimentos na construção e estruturação de uma maternidade em Sorriso e na construção de outra unidade em Várzea Grande. Apesar dos investimentos, Fávaro reconheceu que ainda há demandas a serem atendidas na saúde pública do estado. Quarto tema: segurança pública Candidatos ao Senado de MT respondem sobre Segurança Pública No quarto tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram propostas para combater a criminalidade, o avanço das facções criminosas e os feminicídios no estado. Também foram abordados investimentos em segurança pública, integração entre as forças policiais, endurecimento de penas e uso de tecnologia no combate ao crime. Pedro Taques afirmou que Mato Grosso enfrenta um cenário de violência e apontou a atuação de facções criminosas no estado. Ele comparou os índices de violência de Mato Grosso aos do Rio de Janeiro e citou o número de feminicídios registrados no estado. Também mencionou o aumento dos homicídios e defendeu a criação de um piso mínimo de investimentos em segurança pública. Taques criticou ainda a retirada de R$ 500 milhões da área para investimentos no Parque Novo Mato Grosso. José Medeiros relembrou o período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que, naquele momento, o combate ao crime organizado ocorreu de forma mais ampla, com grandes apreensões de drogas e ações contra as facções criminosas. Ele defendeu uma atuação mais rígida contra essas organizações e afirmou ter um projeto para ampliar a classificação e o tratamento dado às facções criminosas. Antônio Galvan criticou o governo atual na área de segurança pública e relembrou propostas apresentadas durante o governo Bolsonaro. Ele defendeu a adoção da castração química como medida relacionada ao combate à criminalidade e propôs o uso de inteligência artificial para auxiliar as forças de segurança. Galvan citou Campo Verde como exemplo de município com redução da criminalidade e afirmou que sua prioridade seria ampliar a segurança dos cidadãos. Carlos Fávaro afirmou que, diante da organização das facções criminosas, o Estado também precisa aprimorar sua estrutura de combate ao crime. Ele citou a atuação na PEC 18, que prevê mudanças para permitir maior integração da Polícia Rodoviária Federal com as demais forças policiais no combate às organizações criminosas. Fávaro também pediu atenção dos eleitores a propostas que classificou como mirabolantes e destacou projetos de lei voltados ao endurecimento da progressão de pena para condenados por crimes contra mulheres e à dificuldade de saída do sistema prisional. Quinto tema: infraestrutura e logística Candidatos ao Senado de MT respondem sobre infraestrutura e logística No quinto tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram investimentos em rodovias e ferrovias, concessões, pedágios e obras de infraestrutura para melhorar o transporte e o escoamento da produção do estado. Fávaro destacou os investimentos na duplicação da BR-163 e afirmou que as obras contribuíram para superar o histórico de acidentes na rodovia. Fávaro criticou a gestão anterior e afirmou que, sem a contratação de financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não teria sido possível avançar nas obras. Segundo ele, o percentual de rodovias classificadas como boas no estado passou de 40% para 80%. José Medeiros criticou Fávaro e afirmou que, caso as obras dependessem do governo atual, levariam décadas para serem concluídas. Ele defendeu a retirada do Partido dos Trabalhadores do governo federal e acusou a legenda de tratar Mato Grosso apenas como fonte de recursos, principalmente por meio da produção agropecuária. Medeiros também afirmou que o Brasil precisa reduzir entraves para permitir maior crescimento econômico. Pedro Taques afirmou que, além da ampliação das ferrovias, as rodovias também precisam receber investimentos. Taques criticou os valores cobrados nos pedágios e prometeu fiscalizar as concessões rodoviárias. Ele também apontou suspeitas de corrupção envolvendo obras e contratos no setor. Antônio Galvan questionou o uso de recursos do BNDES para justificar investimentos em infraestrutura e afirmou que o dinheiro do banco não pertence aos governos, mas é destinado ao financiamento de projetos. Ele disse ter identificado poucas obras realizadas com esses recursos e citou a BR-158. Galvan também criticou os valores cobrados nos pedágios de Mato Grosso e afirmou que a população acaba arcando com custos elevados. Sexto tema: emendas parlamentares No sexto tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram o uso das emendas parlamentares, a transparência na aplicação dos recursos e os critérios para distribuição das verbas aos municípios. O debate também abordou a fiscalização das emendas e a possibilidade de mudanças no modelo atual. Carlos Fávaro defendeu as emendas parlamentares como instrumento para reduzir desigualdades entre os municípios. Ele afirmou que, durante sua atuação política, destinou cerca de R$ 4 bilhões para Mato Grosso com o objetivo de diminuir essas diferenças. Fávaro também se posicionou contra qualquer tipo de emenda secreta e defendeu transparência na aplicação dos recursos. Pedro Taques defendeu que a definição do destino das emendas tenha participação da população. Ele afirmou que, durante sua atuação política, promovia reuniões com representantes da sociedade, prefeitos e integrantes da segurança pública para identificar as principais necessidades de cada região. Taques disse que priorizava municípios com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e afirmou que, caso eleito, pretende fiscalizar a aplicação das emendas. Antônio Galvan criticou o modelo atual de distribuição das emendas e afirmou que prefeitos e vereadores acabam dependendo de parlamentares para conseguir recursos para os municípios. Ele classificou essa relação como uma forma de dependência política e mencionou a existência de um suposto pedágio para a liberação das verbas. Segundo Galvan, gestores que não aceitam essas condições podem ser acusados de não querer recursos para a cidade. Ele defendeu que os municípios recebam repasses maiores e afirmou que existem outras formas de fazer o dinheiro chegar às prefeituras sem depender das emendas parlamentares. José Medeiros afirmou ter orgulho de já ter destinado recursos a 141 municípios de Mato Grosso e disse adotar um sistema de rodízio para distribuir as emendas. Ele negou a existência de emendas secretas em sua atuação e afirmou dar transparência aos recursos destinados. Medeiros também disse já ter encaminhado denúncias ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre possíveis casos de mau uso e corrupção envolvendo emendas parlamentares. Tema livre No tema livre, os candidatos ao Senado por Mato Grosso abordaram educação, economia, geração de empregos e fizeram críticas aos adversários e ao governo atual. O candidato Pedro Taques fez acusações relacionadas ao ex-governador Mauro Mendes, que não participou do debate. Galvan criticou o governo atual e afirmou que empresas brasileiras estão fechando as portas. Na área da educação, defendeu o modelo de escolas cívico-militares e afirmou que a educação também deve ser responsabilidade dos pais e das mães. Galvan criticou ainda as universidades federais e fez acusações sobre o consumo de álcool e drogas nessas instituições. Fávaro destacou a importância da educação e defendeu o papel das universidades federais. Ele afirmou ter trabalhado pela expansão dos institutos federais em Mato Grosso. Para Fávaro, a educação é capaz de transformar a realidade da população. Medeiros afirmou que considera o processo eleitoral sagrado e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também fez críticas ao atual governo federal. Considerações finais: Antônio Galvan (Avante): "Primeiramente, quero agradecer aqui o g1, essa oportunidade da gente vim aqui esclarecer para a sociedade o que é que nós queremos lá. E eu estou aqui justamente para caçar um daqueles ministros, dois ou três, tem sete lá dentro, coisa que esse senador que tá aqui nem impeachment teve coragem de votar. Por isso, eu aqui apoio Flávio Bolsonaro 22, Pivetta 10 e 700 o senador cabeça branca, o senador coragem com certeza de fazer o que esses senadores do estado de Mato Grosso não tiveram até hoje. Por isso, conto com você, eleitor, sem dúvida nenhuma, que nós precisamos fazer essa diferença, porque eles já poderiam ter feito. Eles já tiveram a oportunidade deles e estão aqui hoje dizendo ou falando inverdades, inclusive. Eu nunca exerci um mandato até hoje político. Estou nessa luta porque o nosso Brasil está perdido, está se perdendo com essa governança que tá aí. Como já foi falado, a hora que entrar essa reforma tributária, eu acredito que não vai ser só" Carlos Fávaro (PSD): "Eu não tive direito de resposta eu quero dizer ao candidato Galván que eu tive coragem sim de me posicionar. Todo brasileiro tem amplo direito de defesa. Mas os casos graves cometidos pelos ministros da Suprema Corte devem ser investigados e se não tomarem providências, eu já fui publicamente dizer que eu defendo o impeachment de qualquer ministro que cometa crime no Brasil. Ninguém está acima da lei, muito menos um ministro da Suprema Corte. Eu quero aproveitar esse tempo final para agradecer você, cidadão mato-grossense que nos ouviram, tiveram a oportunidade de ter um entendimento melhor e facilitar a escolha do seu voto. Quero agradecer ao g1 e a toda a população mato-grossense. Meu nome é Fávaro, meu número é 555. Eu quero continuar sendo o seu senador". Pedro Taques (PSB): "Quero agradecer aos senadores candidatos que aqui compareceram e a você que está nos assistindo. Eu sou filho de uma professora que até os 15 anos de idade eu não tinha banheiro na minha casa. Eu estudei muito, com dificuldades. Fui procurador do estado, procurador da república, combati o crime organizado em vários estados. Defendi o meio ambiente, defendi as populações tradicionais, abandonei a procuradoria, R$ 50.000 reais por mês. Não me aposentei, não me licenciei para ser senador. Fui senador durante 4 anos. Nos 4 anos, fui escolhido um dos 5 melhores senadores do Brasil. Fui governador, não fiz tudo que eu queria, errei, acertei. Eu quero voltar ao senado. Esse ano você tem direito a escolher dois senadores. Eu quero merecer o seu voto para que nós, juntos, possamos mudar algumas coisas em Mato Grosso, no Supremo e no Congresso Nacional. Meu nome é Pedro Taques, meu número é 400. Eu preciso que você esteja junto comigo." José Medeiros (PL): "Eu quero agradecer o presidente Jair Bolsonaro por ter me indicado como o seu candidato ao Senado. Quero agradecer também o candidato Pedro Taques, que me escolheu à época como o primeiro suplente por ter uma ficha limpa. Quero agradecer a você que nos assistiu e quero dizer que junto com o Flávio Bolsonaro, junto com os senadores, que faremos a maioria da bancada ali no Senado, a maioria do Senado. Nós vamos tirar Alexandre de Moraes e vamos fazer ele pagar pelos crimes que cometeu. Nós queremos anistia daquelas pessoas injustiçadas e queremos o presidente Jair Bolsonaro subindo aquela rampa junto com o Flávio Bolsonaro. Nós queremos resgatar o Brasil, nós queremos o Brasil grande de novo, nós queremos o Brasil respeitado de novo e queremos o Mato Grosso destravado, nós queremos os indígenas Parecis podemos podendo plantar, nós queremos o Mato Grosso de volta aos mato-grossenses."