Caso Nery: STJ decreta nova prisão de PMs suspeitos de forjar confronto em caso de morte de advogado
Os investigados Jorge Rodrigo, Wailson Alessandro Ramos, Leandro Cardoso e Wekcerlley Benevides Reprodução O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou um...
Os investigados Jorge Rodrigo, Wailson Alessandro Ramos, Leandro Cardoso e Wekcerlley Benevides Reprodução O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou uma nova prisão preventiva dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira. Eles são investigados por supostamente forjar um confronto com a arma utilizada no crime que resultou na morte do advogado Renato Nery. A decisão é da ministra Maria Marluce Caldas e foi publicada nesta quarta-feira (18). O g1 entrou em contato com a Corregedoria da Polícia Militar, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno. Em Nota, a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros (ACS-MT), que representa a defesa de Wekcerlley, informou que está acompanhando de perto o caso envolvendo. “A entidade manifesta, ainda, total confiança no trabalho das instituições de Justiça para a plena elucidação dos fatos”, disse. Em março do ano passado, os militares foram presos durante a investigação do caso, no entanto, em dezembro, receberam a autorização da Justiça Militar para retornarem às atividades externas. Os policiais são investigados por homicídios qualificados e são suspeitos de simular confrontos armados para ocultar provas. A ministra atendeu a um pedido do Ministério Público Estadual, que recorreu após instâncias inferiores concederem liberdade provisória aos réus. Na decisão, a magistrada fundamentou a medida na gravidade concreta dos crimes e no risco à ordem pública. Ela destacou que uma das armas apreendidas teria ligação com outros homicídios, incluindo o caso do advogado. “ Cumpre destacar que uma das armas apresentadas pelos policiais está vinculada a outros homicídios, inclusive com indícios de emprego de munição própria da polícia, consoante descreve a denúncia”, afirmou a ministra. Ao justificar a prisão preventiva, Maria Marluce Caldas ressaltou que, apesar de o tribunal de origem ter considerado não haver fato novo que justificasse a manutenção da custódia cautelar, o risco à ordem pública impõe a necessidade. “Além de os fatos narrados serem graves, o contexto fático denota a elevada periculosidade dos agentes, colocando em risco toda a comunidade. Ademais, mostra-se igualmente necessário resguardar a instrução processual, diante do risco de intimidação das vítimas sobreviventes (Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira) e das testemunhas dos fatos”, escreveu. Histórico dos policiais De acordo com a Justiça de Mato Grosso, Jorge Rodrigo aparece em um processo sobre a morte de Mayk Sanches Sabino, morto em um possível confronto policial, em 2020. Jorge foi indiciado também pela morte de Ricardo Conceição da Silva, morto em 2023, no bairro Três Barras, em Cuiabá. Já Wailson Alesandro é um dos indiciados pela morte de Victor Lima Hipolito. Leandro Cardoso foi alvo Operação Simulacrum, que investigou um grupo de mais de 60 policiais militares suspeitos de 24 mortes em simulações de confrontos. Assassinato de Renato Nery Advogado é baleado durante atentado em frente a escritório de Cuiabá Renato foi baleado quando chegava no escritório dele, em julho de 2024. Segundo a Polícia Civil, o atirador já estava esperando pelo advogado e, após atirar, fugiu do local em uma moto. Uma câmera de segurança registrou o momento em que Renato caminha até a porta do escritório, é atingido pelos disparos e cai no chão (veja acima). O advogado morreu um dia após ser baleado. O corpo dele foi sepultado em Cuiabá, na manhã do dia 7 de julho.