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Cartão de crédito vira apoio para despesas básicas de 3 em cada 10 consumidores; MT soma R$ 13,2 bilhões em dívidas

Cartão de crédito vira aliado dos brasileiros Getty Images via BBC Brasil Um levantamento da Serasa revela que três em cada dez consumidores recorrem ao cart...

Cartão de crédito vira apoio para despesas básicas de 3 em cada 10 consumidores; MT soma R$ 13,2 bilhões em dívidas
Cartão de crédito vira apoio para despesas básicas de 3 em cada 10 consumidores; MT soma R$ 13,2 bilhões em dívidas (Foto: Reprodução)

Cartão de crédito vira aliado dos brasileiros Getty Images via BBC Brasil Um levantamento da Serasa revela que três em cada dez consumidores recorrem ao cartão para pagar despesas do dia a dia, como supermercado, contas da casa e outros gastos essenciais. Em Mato Grosso, esse cenário ganha ainda mais relevância diante dos dados da inadimplência: são mais de 1,55 milhão de pessoas com dívidas em atraso, que somam R$ 13,2 bilhões, sendo 20,71% dos débitos relacionados a bancos e cartões de crédito. Os dados fazem parte da primeira edição do Mapa de Crédito da Serasa, que mostra que o cartão é a modalidade de crédito mais utilizada no país. Segundo a pesquisa, 63% dos brasileiros afirmaram ter usado o cartão nos últimos 12 meses, percentual superior ao de qualquer outra linha de crédito. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Para a especialista em educação financeira da Serasa, Rafaela Alves, o uso frequente do cartão para despesas essenciais é um sinal de alerta. "Quando a renda não acompanha o custo de vida, o cartão deixa de ser uma ferramenta de planejamento financeiro e passa a funcionar como uma extensão da renda. Esse comportamento aumenta o risco de inadimplência", explicou. Além das despesas do cotidiano, o estudo mostra que 29% dos consumidores utilizam o cartão para compras específicas e 18% recorrem ao crédito para cobrir gastos emergenciais com saúde. Outro fator que explica a preferência pela modalidade é a flexibilidade de pagamento. Entre os entrevistados, 41% apontaram o parcelamento compatível com o orçamento como principal vantagem, enquanto 37% citaram a facilidade de acesso ao crédito e 30% destacaram o limite pré-aprovado. MT acompanha tendência nacional Os dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa mostram que Mato Grosso acompanha o comportamento observado no restante do país. Em junho de 2026, o estado contabilizou 1.550.733 consumidores inadimplentes, que acumulavam 8.077.587 dívidas, totalizando R$ 13,2 bilhões. Desse montante, 20,71% correspondem a débitos com bancos e cartões de crédito. Para a especialista, o principal erro cometido pelos consumidores é considerar o limite do cartão como parte da renda disponível. "Muitas pessoas deixam de acompanhar o impacto real das compras no orçamento, pagam apenas o valor mínimo da fatura ou acumulam parcelas sem avaliar o comprometimento da renda nos meses seguintes. Esse comportamento faz com que a dívida cresça rapidamente por causa dos juros do crédito rotativo", afirma a educadora financeira. Segundo ela, os sinais de que o cartão deixou de ser um aliado e passou a representar um risco aparecem quando o consumidor passa a pagar apenas o valor mínimo da fatura, utiliza o crédito para cobrir despesas básicas por falta de dinheiro ou perde o controle sobre os gastos mensais. "O cartão deve ser um meio de pagamento planejado. Quando ele passa a ser usado para esticar a renda todos os meses, é hora de rever o orçamento antes que a situação fique mais difícil", alerta. 'Na Corda Bamba': os cuidados com o cartão de crédito Empréstimos para reorganizar as finanças Enquanto o cartão aparece como principal alternativa para complementar o orçamento mensal, outras modalidades de crédito têm finalidades diferentes. O levantamento mostra que o empréstimo pessoal e o crédito consignado são utilizados principalmente para reorganizar as finanças. Entre quem contrata empréstimo pessoal, 34% usam o recurso para quitar dívidas ou contas em atraso, enquanto 22% buscam reorganizar a vida financeira. No consignado, a principal motivação é justamente colocar as contas em ordem (35%), seguida pelo pagamento de débitos atrasados (20%). Em ambas as modalidades, 15% afirmam recorrer ao crédito para aliviar o orçamento. Segundo Rafaela Alves, essa troca de dívidas pode ser uma estratégia positiva, desde que reduza o custo financeiro. "Faz sentido substituir uma dívida cara, como o rotativo do cartão ou o cheque especial, por um empréstimo com juros menores. Mas é importante comparar o custo total da operação, verificar se a nova parcela cabe no orçamento e evitar voltar a utilizar o limite do cartão, para não criar uma nova dívida", orienta a especialista. Como evitar que o cartão se transforme em dívida Para quem já utiliza o cartão para pagar despesas básicas, a orientação da Serasa é agir antes que a inadimplência aconteça. Entre as principais recomendações estão registrar todas as receitas e despesas, evitar pagar apenas o valor mínimo da fatura, priorizar a quitação das dívidas com juros mais elevados, buscar negociação antes do atraso e avaliar a troca por modalidades de crédito mais baratas quando necessário. "A construção de uma reserva de emergência, mesmo que pequena, reduz a dependência do cartão diante de imprevistos. Também é importante acompanhar o CPF e o Serasa Score para identificar rapidamente qualquer sinal de desequilíbrio financeiro", conclui Rafaela Alves.